A força com quem coloco os fones no interior dos meus ouvidos é a mesma que tenta levar-me para longe daqui. Longe dos olhares, dos comentários, dos julgamentos e das ideias feitas. Sinto que se estivesse num lugar diferente, rodeada de pessoas diferentes, as ações seriam outras. Talvez conseguisse soltar-me do mundinho em que vivo e aprender a voar. Há bastante tempo que tenho vindo a sentir-me cada vez mais impotente e incapacitada- se, por um lado, não consigo expressar por termos aquilo que sinto, por outro, os conceitos andam num reboliço no interior da minha mente. De cada vez que me sento para tentar colocá-los em ordem, algo se sobrepõe e acabo por voltar à estaca zero. Sinto-me perdida e demasiado angustiada por não conseguir falar, escrever ou pronunciar, seja em que linguagem for, o medo que eu tenho de ser julgada. Quero- tal como sempre quis- ser a menina perfeita- aquela que não dá angústias aos pais, aquela que não vai contra aquilo que sempre estruturou mentalmente e aquela que obedece a cada regra como se não houvesse nada mais sagrado do que aquilo. Só eu sei o quanto me mata por dentro esta necessidade de atingir a perfeição, ainda que isso seja impossível. E ainda que eu saiba que isso não será nunca possível. A minha ansiedade de querer tudo ao milímetro, organizado de forma rigorosa e ornamentada faz-me perder os sentidos. Perco os sentidos longe de ti e ao teu lado. Deixo de conseguir fechar os olhos e sentir o teu perfume (que é o meu preferido) com o medo que me falhes. Tenho tanto medo que te esqueças de me ligar, de me procurar, de me encontrar. Tenho medo de falhar no que mais importa para ti, e tenho ainda mais medo que falhes no que mais importa para mim, mesmo que eu não faça a mínima ideia do que isso é. Tenho medo, tenho inseguranças e tenho monstros que vivem no teto, porque estavam demasiado escondidos debaixo da cama. Não faz sentido que pagues por tudo o que vejo a acontecer à minha volta, assim como não faz sentido que feche os olhos a todas as traições e a todas as mentiras que têm vindo a matar as relações à minha volta. Sei que nada é para sempre, tal como a nossa relação não será... A única coisa que está em questão é a duração dela, o que investir e o que esperar. Se espero demais, dececiono-me. Se espero de menos, não vivo o que de melhor a vida tem para me dar. És um poço de surpresas, de sorrisos, de gargalhadas e de chama. És aquilo a que eu chamo de desejo. És a minha maior certeza e a minha maior incerteza.
Sem comentários:
Enviar um comentário