quinta-feira, 26 de março de 2020

Hoje era o dia em que eu ia dizer-te ao telemóvel quanta falta me tens feito. Enquanto lavava a loiça, pensei em como seria se estivéssemos juntos numa casa nossa. Hoje, pela primeira vez, desejei ter um quarto contigo, uma sala contigo, uma cozinha contigo, uma casa de banho contigo. Um jardim e uma garagem onde podias estar o tempo que quisesses e precisasses. Sonhei com cada canto, com a maneira como iríamos funcionar juntos. Tu cozinhavas, eu lavava a loiça, como sempre combinamos. Pensei em quantas horas iria passar no meu sítio preferido do mundo e adivinha... Se dependesse de mim, nesta quarentena, era no teu peito que ficaria todas as horas possíveis. Hoje era o dia em que ia falar contigo e contar-te como foi sonhar acordada o dia todo com cada pedacinho nosso. Hoje cheirei a tua camisa já lavada e dada a ferro e caramba... Não consegues imaginar as saudades que tive do teu cheiro, do teu toque, dos teus mimos- os que eu me queixo sempre, por querer mais e mais. Hoje era o dia em que te ia dizer o quanto as saudades já apertam.  Hoje falhou porque não houve hoje. Não atendeste o telemóvel. Rejeitaste chamadas, respondeste com um "ok" frio e distante a uma pessoa que esteve o dia todo a sonhar acordada contigo. Hoje custa mais do que nos outros dias porque era hoje que eu queria que tu soubesses o quanto eu te amo e as saudades que tenho nossas. Continuo a ter saudades das mensagens bonitas escritas por ti que em tempos pude ler, da maneira como me chamavas de tua princesa diariamente, do entusiasmo com que ficavas de cada vez que a minha mãe deixava que fosse a tua casa passar a tarde, da maneira apaixonada como olhavas para mim quando te sorria e fazia coisas que outrora achávamos impossível eu vir a fazer. Hoje eu escrevo-te porque não me atendeste e talvez nem hoje poderás ler isto, mas um dia, quando leres e souberes que era hoje o quanto eu gostava de te ter dito o quão importante és para mim, talvez percebas a importância que cada um dos "hoje" tem para mim. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2019


As lágrimas correm-me pelo rosto desenfreadamente. Já nem sequer 6 horas vou dormir e continuo sem conseguir pregar olho. Dói cada vez mais saber que já não te importas connosco. Já não mexe contigo saber que tens alguém deste lado a passar um mau bocado. Até podes achar que são filmes da minha cabeça mas já nem sequer tentas acalmar-me, estar do meu lado. A cada dia que passa estás mais do outro lado. Do lado que não é nosso, que não nos pertence. A cada dia que passa és menos meu, mas mais teu. Mais do mundo, mais da vida, mais das tuas escolhas que por mim não passam. Talvez sejas tu o certo. Em 3 anos mudou muita coisa e nós mudamos com os anos. Tornamo-nos dois desconhecidos que se vão encontrando pelo caminho. Sei de ti e tu de mim mas já nem queremos sarar as feridas um do outro. Ficamos só no nosso canto, calados e quietos à espera que passe. Os dias passam e tudo vai perdendo o encanto. Já não dançamos, já não choro quando fazemos amor, já não nos perdemos a rir nem vemos filmes. Já não me dizes que me amas antes de desligar o telemóvel, já não falamos horas seguidas. Já não namoramos à distância mas também já não namoramos quando estamos juntos. Estamos horas a passear lado a lado mas vai cada um no seu caminho. Somos capazes de ir lado a lado mas não sabemos ir juntos. Somos uma junção de desejos, favores e esforços. Seja lá pelo que for, a verdade é que é um esforço para nós servir o outro. Estamos a entrar num beco sem saída e eu não sei para onde me virar. Tento falar mas não me ouves. Tento não esconder o que sinto mas já não tens sensibilidade ao ponto de ver o meu lado. És tudo o que eu mais quero que permaneça em mim e ao mesmo tempo o que mais me tem feito sofrer. Dói tanto ver o barco a afundar e não ter a tua ajuda. Dói saber que para ti nada tem a importância que deve ter, os sentimentos pouco importam e a vida vai como tiver de ir. Aproximamo-nos a passos largos dos 3 e eu só gostava que tu me mostrasses que tudo isto é uma fase e que passa. Gostava que me provasses que o teu amor por mim ainda pode resolver isto e que vai crescendo nas pequenas coisas. Que os 3 sejam o rumo que nos leva ao porto desconhecido, ao sítio onde seremos salvos e não sabemos. Eu acredito. Ou mantenho-me na esperança de não parar de acreditar.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

O amor cresce dos bocadinhos. Da ida ao Porto, do mergulho no rio, da sesta que fazemos abraçados. O amor cresce da preocupação, do "como correu o teu dia hoje?", da maneira como olhas para mim enquanto, sem querer, me caem as lágrimas pela cara. O amor cresce todos os dias e não vem nunca do que é material. O amor vem do pouco, do pequeno. O amor são as músicas que ouvimos no carro e o vento que leva o meu cabelo para trás com a mesma força que um sorriso teu leva o meu dia para a frente. Não há nada que queira tanto como ser a tua companheira. Estou há algum tempo a lutar para ser a tua melhor amiga, a tua confidente, a tua pessoa. Enquanto isso, continuas gélido e o amor vai acontecendo. Os fins de semana passam a voar e sinceramente sinto que são pouco mais do que um sonho. Chega à segunda feira e voltam as rotinas, os desleixos, as desculpas e tudo aquilo que sempre nos separou. A coisa que mais me entristece em toda a minha vida é a maneira como tu consegues descartar as hipóteses de estarmos ao lado um do outro sem ser nos momentos programados, sem ser da maneira que se calhar faria mais sentido para nós. Tu consegues dizer-me que não nos momentos em que se calhar eu mais preciso do teu colo, do teu mimo e da tua presença. O amor não são as palavras, mas o amor é estar. O amor é presença, o amor é mimo sempre que o outro precisa. É impossível dar-se tudo numa relação quando se sente que o outro tem reticências, vírgulas, parêntesis. É impossível ter-se todas as seguranças do mundo quando se vê pouco esforço, pouca vontade, pouca disposição. Às vezes sinto que é impossível chegar até ti com o que te digo, então em tom de socorro venho e escrevo. Mostro-te e penso que talvez nem leias até ao fim, ou nem dês a importância que dou, ou nem sequer percebas exatamente o conteúdo das minhas palavras, mas acredita que a escrita pode ser das únicas maneiras que tenho de sentir que, dê isto no que der, eu tentei chegar até ti. Que nunca te falte o mimo e que, a partir de agora, sejamos um e só um em tudo o que nos resta. Ainda há muito para construir, se assim o quisermos.
PS: Nos dias em que estiveres mais em baixo, mais cansado e com vontade de partir tudo à tua volta, lembra-te que os meus braços serão sempre o teu lar.

domingo, 31 de março de 2019

Nem sempre foi fácil chegar até ti. A escrita costuma ser o lugar onde te encontro e costumas dizer que "é a única bibliografia que lês". Sempre foste uma pessoa fria, distante. Nunca me demonstraste muito aquilo que sentes, mas sempre me foste dando a dose certa de amor, companheirismo e de vontade. Nunca foste o rapaz das mensagens constantes nem a pessoa dos testamentos nos aniversários, mas eras a pessoa que me ligava sempre que podia. Que retribuia mal arranjava um pequeno furo. A nossa relação não é um mar de rosas e já passamos por fases muito complicadas, mas eu tinha sempre uma reserva. O teu amor, a tua vontade, as tuas demonstrações de saudades e de capacidade de arranjar momentos juntos, davam-me sempre o impulso que eu precisava para os dias seguidos sem te ver. Hoje, tudo custa mais. Dizes que aprendeste a arranjar estratégias para não te lembrares, mas esqueces-te que nesta relação não estás sozinho. Eu ainda não as arranjei e preciso da tua ajuda. Eu ainda preciso que me dês a mão e que me mostres que sentes a minha falta e que queres falar comigo, estar comigo, dormir comigo, viver comigo. A vida é feita de timings e nós temos timings diferentes um do outro, mas eu gostava que tu visses que eu ainda não estou no mesmo patamar que tu e que percebesses que está na hora de me dares a mão e de me levares contigo, em vez de seguires o teu rumo e de não te importares de qual o lugar em que estou. Dantes, tudo era mais fácil porque havia uma energia maravilhosa que nos movia até novos destinos, novos sonhos, novos momentos a dois. Eu só quero que tu percebas que a energia que nos move se chama amor e que, quer queiras quer não, o amor é feito de coisas pequenas. De visitas inesperadas, de chamadas à última da hora, de uma mensagem de madrugada só a dizer "queria que estivesses comigo aqui, agora". O dia em que arranjaste estratégias de racionalizar o amor, foi o dia em que deixaste de me dar a energia para aguentar o domingo, a segunda, a terça, a quarta, a quinta e a sexta. Por favor, e se assim o quiseres, volta a amar-me sem razão e sem estratégias. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Os caminhos vão todos dar a ti. Seja pela direita, pela esquerda, em casa, no solinca ou mesmo a passar perto do parque urbano. O peluche que me deste é o meu porto de abrigo neste momento e talvez a única forma de me controlar para não te ligar 60 mil vezes ou pegar nas chaves do carro para ir a correr até ti. Cada vez que penso em nós, consigo ver algo bonito que foi construído com muito amor. Podemos ser os maiores opostos, podemos ser mimados, teimosos, egoístas, podemos muitas vezes pensar apenas em nós mesmos, mas de uma coisa eu tenho a certeza: eu amo-te e tu amas-me. Nos últimos tempos eu tenho sentido bocadinhos de ti a escapar-me por entre os dedos. Tenho sentido que a tua vontade de estar comigo já não é a mesma, que a paciência foi esmorecendo, que o lema de "sempre juntos, contra tudo e contra todos", seja em que lugar foi e com quem for foi deixando de ser O lema. Foste-te afastanto aos poucos, a tentar não magoar muito. Um dia um jantar, outro dia um café. Foste faltando e tentando que eu me segurasse sem ti. Às vezes sinto que estás a tentar sair disto em pézinhos de lã para te certificares que eu fico bem. Sinto que te preocupas comigo e que gostas verdadeiramente de mim, mas ultimamente há sempre um "mas". Ultimamente, parece que não remamos juntos para o mesmo lado, como se cada um de nós pudesse ir para onde quisesse e se quiser, independentemente do que daí vier. A minha atitude de hoje foi das coisas que mais me envergonho, não senti nada do que disse e percebi que não posso continuar a deitar tudo a perder com o meu feitio de merda. Sei que nada do que eu diga aqui ou que faça vai tirar o eco da tua cabeça com as minhas palavras da boca para fora, mas gostava que soubesses que nada do que eu fiz foi com o intuito de te magoar. Apenas tentei que percebesses que as tuas atitudes me têm magoado muito (e cada vez mais), ainda que sem sucesso- e ainda perdi a razão.
Sabes, M, eu amo-te com o que tenho e com o que não tenho. Eu sei que não tenho feito as coisas da melhor forma, mas quero que penses em nós e em tudo o que nos trouxe até aqui antes de baixares os braços e parares de lutar. Garanto-te que, a partir de hoje, nunca mais me vais ouvir a elevar o tom de voz, a suplicar seja o que for ou a responder-te torto sem nexo nenhum. Acredito que há momentos de viragem, em que ou vais à luta ou perdes. Este é um desses momentos. E antes que aches que estou a prometer aquilo que não posso cumprir, dá-me uma oportunidade para te mostrar que aquilo que eu sinto por ti é muito maior do que qualquer capricho de menina mimada. 

domingo, 7 de outubro de 2018

Já não me lembrava de vir até aqui. Não fazia sentido para mim. Andei perdida este tempo todo. No meu canto, no meu mundo, nas minhas inquietudes e mimalhices. Não escrevi por orgulho, por teimosia e porque fiquei à espera que fosses tu a dar-me uma amostrinha de que eu continuo a ser para ti aquilo que tu nunca deixaste de ser para mim. Mas hoje, tudo voltou a fazer sentido. Os olhos continuam a arder e as lágrimas ainda caem, mas agora a sensação é diferente... Agora sei que o caminho é por aqui. Deste-me a força que eu precisava para sair do ciclo vicioso, dos controlos, das respostas à toa, dos desrespeitos e dos monstros que dia a dia nos estavam a tirar cada vez mais um do outro. Não sei se vou ser capaz de dar a volta por cima e de te mostrar que sou muito mais do que o protótipo de granada que dispara gravilha em todos os sentidos. Mas eu confio em mim, em ti, em nós. "Não podemos dar-nos como garantidos. Não é porque namoramos há dois anos que vamos aguentar sempre tudo. Estou a chegar ao limite." Nunca as tuas palavras fizeram tanto sentido na minha cabeça. Embora doa que farte, embora custe, faça tremer, faça chorar e partir mais um bocadinho do coração, eu sei que é a mais pura das verdades. E também sei que as tuas palavras vão continuar a ecoar na minha cabeça e vão impedir-me de voltar a errar. Posso ser muito impulsiva, demasiado teimosa, uma verdadeira "mandona", mas nada disso supera o amor que tenho por ti e o orgulho que tenho em tudo o que construímos até agora. Hoje ainda não te pedi desculpa... Talvez porque achei que não fazia sentido estar a dizer essa palavra sem te mostrar que serei tudo aquilo que nunca soube ser. Talvez porque me ensinaste, hoje, mais uma vez, que as ações valem muito mais do que as palavras e que está na hora de crescer. Já passaram dois anos e eu ainda não consigo arranjar forma de te agradecer tudo o que me ensinas, tudo o que me fazes sentir, tudo o que me dás e sobretudo, tudo o que me fazes ser. Recuso-me a desistir, a baixar os braços e a não dar tudo o que posso (e o que não posso) por esta nossa relação. A única coisa que eu te peço é que estejas cá para ver as melhorias e que sejas humilde o suficiente para perceber quando é a tua vez de dar o braço a torcer e de me mostrar que juntos somos mais fortes. Sem frieza, sem amuos, sem estarmos um contra o outro. Lutaremos em conjunto para que juntos sejamos um.
Amo-te mais, hoje. Se é que isso é possível.

domingo, 27 de maio de 2018

Nem tu sabes a quantidade de vezes que eu já chorei deitada com a cabeça na almofada. A quantidade de vezes que já pensei se é mesmo isto que eu quero, se a nossa relação nos vai levar a bom porto, se os momentos que temos são de mais felicidade ou de mais tristeza. Já pensei que somos demasiado diferentes, que nunca nos vamos conseguir entender como gostaríamos. "Se estás em busca da perfeição, então não sou o homem certo". Eu não consigo aceitar os teus desleixos, a tua falta de responsabilidade. Não sou capaz de compreender o que te leva a ser assim, muito menos o que faz com que continues a ter esse tipo de atitudes quando percebes o quão triste me deixas. Eu não sei aquilo que eu procuro. Eu não sei o que quero, muito menos por que razão quero. A única coisa que eu sei é que morro de saudades nossas. Morro de saudades dos dias em que íamos dançar e era tudo lindo. Sem importar se havia calcadelas ou se "não te apetecia muito dançar". Era secundário. Quando estávamos os dois, o importante era aproveitar aquele momento. Morro de saudades do dia em que me deste o peluche que tenho aqui ao meu lado. Ver a tua cara quando me deste este peluche foi dos momentos mais bonitos, sabias? Eu tenho cada expressão tua decorada na minha cabeça. Conheço bem aquilo que te caracteriza, sei perfeitamente que o teu orgulho não te deixa ser a pessoa linda que és. Sabes, eu só queria não morrer de saudades e poder voltar ao início. Gostava de voltar às gargalhadas, aos passos de dança, aos jantares românticos, aos passeios desde a ribeira até leça e sobretudo aos beijinhos que me aconchegavam a alma. Por muitas coisas que me passem pela cabeça e por muitas lágrimas que corram pela minha face, a conclusão será sempre a mesma: Eu quero lutar por nós até ao último pôr-do-sol, até ao fim das ondas do mar e até que, um dia, o oceano acabe. Se nós formos aquilo que nos fez apaixonar um pelo outro, tenho a certeza que isto vai dar certo. Sem desistir, sem perder a chama, sem nos magoarmos mais. Sem desculpas. Sem interrogações. Sem medo. Só com amor. O amor vence sempre.