Hoje era o dia em que eu ia dizer-te ao telemóvel quanta falta me tens feito. Enquanto lavava a loiça, pensei em como seria se estivéssemos juntos numa casa nossa. Hoje, pela primeira vez, desejei ter um quarto contigo, uma sala contigo, uma cozinha contigo, uma casa de banho contigo. Um jardim e uma garagem onde podias estar o tempo que quisesses e precisasses. Sonhei com cada canto, com a maneira como iríamos funcionar juntos. Tu cozinhavas, eu lavava a loiça, como sempre combinamos. Pensei em quantas horas iria passar no meu sítio preferido do mundo e adivinha... Se dependesse de mim, nesta quarentena, era no teu peito que ficaria todas as horas possíveis. Hoje era o dia em que ia falar contigo e contar-te como foi sonhar acordada o dia todo com cada pedacinho nosso. Hoje cheirei a tua camisa já lavada e dada a ferro e caramba... Não consegues imaginar as saudades que tive do teu cheiro, do teu toque, dos teus mimos- os que eu me queixo sempre, por querer mais e mais. Hoje era o dia em que te ia dizer o quanto as saudades já apertam. Hoje falhou porque não houve hoje. Não atendeste o telemóvel. Rejeitaste chamadas, respondeste com um "ok" frio e distante a uma pessoa que esteve o dia todo a sonhar acordada contigo. Hoje custa mais do que nos outros dias porque era hoje que eu queria que tu soubesses o quanto eu te amo e as saudades que tenho nossas. Continuo a ter saudades das mensagens bonitas escritas por ti que em tempos pude ler, da maneira como me chamavas de tua princesa diariamente, do entusiasmo com que ficavas de cada vez que a minha mãe deixava que fosse a tua casa passar a tarde, da maneira apaixonada como olhavas para mim quando te sorria e fazia coisas que outrora achávamos impossível eu vir a fazer. Hoje eu escrevo-te porque não me atendeste e talvez nem hoje poderás ler isto, mas um dia, quando leres e souberes que era hoje o quanto eu gostava de te ter dito o quão importante és para mim, talvez percebas a importância que cada um dos "hoje" tem para mim.
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