domingo, 19 de novembro de 2017

Escrever tem sido tão difícil como acordar. Não surge, não dá prazer, não apetece. Não vale a pena, sei que nos momentos a seguir, os pensamentos vão atormentar-me na mesma. A música está alta. Há quem consuma para se sentir inspirado, eu coloco a música no máximo para não me conseguir ouvir. Apenas se não me ouvir, consigo ser eu. Eu sei que a única forma de me soltar da voz interior que me sufoca é caso algo se imponha a ela. Choro quando te vais embora porque tu representas a música no volume máximo. Choro porque quando estou ao teu lado não a ouço- perco-me em ti e não há espaço para ela. Entrego os meus medos, os meus pesadelos e os meus sufocos àquele que sei que é o homem da minha vida. "Vou sentir a tua falta", não porque vás para França ou para a China, mas porque não serás capaz de me tocar e de me salvar. Sinto-me mesmo muito vulnerável, quase que intocável mas baixo as guardas para ti. Tenho medo, tenho pavor, mas foda-se. Já perdi tanto... Se te perco a ti, perco-me a mim. Sei disso tão bem quanto tu. Posso lutar contra o mundo mas desisto de lutar contra ti. Quando olho friamente para mim, sei que me queixo de nada- tenho ao meu lado a pessoa que mais amo, os meus pais estão bem, os meus avós também, eu tenho saúde e sou uma sortuda por tudo o que fazem por mim. Mas dói tanto chegar ao hospital e ver a minha família desmoronada. A minha prima entregue a ela mesma, o meu tio perdido no vazio, a minha mãe e o meu outro tio a chorarem como desalmados. Que desespero... Só quem passa pode perceber. Que vazio. Não faz sentido. Não é justo. Não consigo falar contigo sobre isto porque sei que quem não vive, não percebe. Sei que quem não passa, não pode sentir... Com isto tudo, quero dizer-te que me entrego a ti de corpo e alma e que não vou lutar mais contra isso. Espero, do fundo do meu coração, que tenhas consciência que te entrego um tesouro. Quero ainda que saibas que é um prazer partilhar a minha vida contigo, que este "ano e dois meses" passou a voar e que quero acordar todos os dias ao teu lado. Quero que percebas que as minhas lágrimas não são (nem nunca serão) em vão. Choro porque o que sinto por ti não cabe no peito. Meu amor, "amar-te muito", é muito pouco. 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Nunca escrevi por obrigação, nem tão pouco porque alguém pediu para eu me inspirar e manobrar as palavras de uma forma mágica e minimamente acolhedora. Escrevo meramente por prática de reflexão, dado que é uma das formas que encontrei que permitem encontrar-me comigo própria. Escrevo porque vejo na escrita um refúgio e a forma como o meu subconsciente combina as palavras assombra-me de alegria e ao mesmo tempo assusta-me. Como pode o meu subconsciente ter tanto poder sobre mim? Como pode ele manifestar-se através de lágrimas, através de vontade de te agarrar e de te absorver mais e mais? Sou um poço de quereres: quero tudo. Quero-te a ti, quero jantar com os meus pais, almoçar com os meus avós, ir à praxe, ir ao ginásio, ir tomar café com os amigos, ter tempo para as minhas saídas a dois, a três, a quatro e a vinte. Quero visitar a minha tia e a minha avó, sem esquecer que a Ritinha está cada vez maior e tempo para a ver crescer é muito escasso. Sem esquecer, claro, que as minhas primas precisam de mim como nunca. Perante isto, perante a minha necessidade de absorver e lidar com tudo, como posso eu não enlouquecer? A resposta é óbvia: conto contigo, meu amor, para me dares a sanidade mental que tende a perder-se a pouco e pouco. Tu és a pessoa responsável por me fazer parar sempre que o meu inconsciente não o fizer, és quem me guiará daqui para a frente. Estamos e estaremos nisto juntos! Mas, por favor, o que mais te peço, é para me deixares ser quem eu sou. Não tentes, em momento algum, abafar as minhas ideias e convicções- põe-te a ti mesmo à prova. Sabes que esta nova fase da minha vida acarreta consigo algumas mudanças. transformações significativas que serão de perfeita adaptação. Mas sabes, meu grande amor? Não há relação alguma que sobreviva sem confiança e a nossa não é exceção. Tu tens de perceber que eu tomei a decisão de me entregar a ti, de te escolher a ti, de crescer e viver contigo! És tu por quem tanto procurei e por quem tanto ansiei. É tua a história que mais gosto, a voz que mais me acalma e o beijo que mais me aconchega é proveniente dos teus lábios. Que se foda o resto! Mentaliza-te daquelas que são as tuas principais funções e eu mentalizar-me-ei de que está na hora de estabelecer prioridades e de te amar cada vez mais, ainda que considere isso impossível.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

À medida que o tempo passa, começo a aperceber-me que o nó que sinto na barriga não é fome. Não são dores menstruais, não são dores de estômago. Nenhum dos órgãos secundários é responsável por essa dor. Contrariamente, apenas o órgão principal tem a inteira culpa- o coração. Dói-me o coração e por isso não consigo respirar. Há quem diga que o coração não dói... Pobre de quem o diz. Nunca amou. Quando se ama, o coração dói. Cada vez que se desilude quem se ama, ou que se desilude a si mesmo, o coração faz doer. Não se sente lá, sente-se algures pelo corpo. As forças perdem-se, o corpo desfalece. Dás-me chapadas na cara e dizes para me deitar no teu colo, é hora de descansar... Treta. É hora de resolver, de uma vez por todas, as nossas cabeças. É hora de gritar, de chorar, de espernear, de fumegar... Mas a seguir vem o recomeço. Volta a paixão, a fase em que nos compreendemos mutuamente e o respeito é a palavra-chave. Cada um de nós acarreta consigo problemas que, aparentemente, apresentam uma solução remota. Estamos cansados, frustrados. Estamos desiludidos connosco, com o outro e com o mundo. Dói a acordar... Aparentemente, não há uma razão para tal. Não estamos ao lado um do outro, não vamos uma semana de férias, não passamos noites juntos, não podemos fazer os planos que sonhamos, não tenho a liberdade que querias experienciar viver. Não, não e não. Mas sabes que sim? Sim, amamo-nos. Sim, queremos estar juntos. Sim, podemos ser felizes. Sim, quero fechar este ciclo vicioso que tem andado a dar cabo de nós. Sim, luto por um recomeço ao teu lado. Sim, acredito em nós! Sim, meu amor... Eu prometo que caso contigo.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Os outros nada mais são do que mera paisagem. Uma paisagem capaz de nos acrescentar, de nos retirar, incentivar, aniquilar. Os outros nada importam e eu dou-lhes uma importância que nunca mais acaba. Os outros fazem de tudo para nos afetar, ainda que inconscientemente, e eu de tudo faço para que eles me afetem. Sou fraca, sou ingénua e sobretudo sou apagada daquela que eu sou. Apago-me de mim pelos outros. E, pior do que apagar-me de mim, é apagar-me de ti. Apagar-me de nós. Pô-los, ainda que sem saber, num patamar acima do nosso amor. Não consegues imaginar o medo que tenho de falhar perante os outros... Mas hoje percebi que o medo de falhar perante eles nunca se assemelhará ao medo de te perder. Ao medo que fujas de mim, ao medo que eu nutro em perder a réstia de esperança em finais felizes. Somos opostos perfeitamente combinados, meu anjo. Somos duas pessoas cujos corações estão quebrados em mil pedacinhos e que, passo a passo, vão descobrir a fórmula (mágica ou não) de os unir. Eu uno o teu, tu unes o meu. A sensação de poder estar a partir o teu coração em pedacinhos mais pequenos aterroriza-me de tal forma que me leva a tentar reunir as forças todas dos deuses em quem eu nunca consegui acreditar para me levar até ti e conseguir provar-te que sou capaz de curar cada ferida do teu corpo, ainda que se trate de chagas que perfuram os ossos. Eu sou capaz. Eu sei que vou conseguir... Desisto no dia em que o Ying e o Yang deixarem de representar aquilo qur nós somos um para o outro- o equilibro no desequilíbrio. 

domingo, 22 de janeiro de 2017

É praticamente impossível descrever o medo que sinto cada vez que penso que pode ter-te acontecido alguma coisa. Sei que ficava mais bonito se eu tivesse escrito "receio" em vez de "medo", contudo, a verdade é que eu estou apavorada. Não se trata de um medo, de um receio, mas sim de um pavor. De um medo levado ao extremo. Faz com que o meu coração bata a umas milhas por segundo, com que o meu cérebro pare, com que as minhas mãos tremam e os meus olhos se encham de lágrimas. O medo que eu tenho de te perder vai matar-me. A mim, a ti e a nós. Sempre soube que no momento em que este medo se fizesse sentir, seria o meu fim. Ainda que tu não o conheças, ele conhece-nos bem. Não ter notícias tuas, não receber uma chamada reveladora de como estás, ver que não há sinais teus em qualquer rede social, faz com que esse Senhor Medo se apodere de mim. Tento, então, recorrer às superstições para que elas me salvem. Olho para o colar que me deste umas trinta vezes, olho para as horas na tentativa de encontrar algo semelhante a (21:21) com o intuito de poder pedir um desejo, ponho o creme do meu pai (que cheira a ti) na extremidade do meu polegar e espero que ligues, que me demonstres que estás vivo. A minha angústia aumenta um bocadinho mais e eu fico aterrorizada... Como é que se lida com isto? Como é que se aprende a viver com o facto de amar alguém? 

domingo, 1 de janeiro de 2017

A força com quem coloco os fones no interior dos meus ouvidos é a mesma que tenta levar-me para longe daqui. Longe dos olhares, dos comentários, dos julgamentos e das ideias feitas. Sinto que se estivesse num lugar diferente, rodeada de pessoas diferentes, as ações seriam outras. Talvez conseguisse soltar-me do mundinho em que vivo e aprender a voar. Há bastante tempo que tenho vindo a sentir-me cada vez mais impotente e incapacitada- se, por um lado, não consigo expressar por termos aquilo que sinto, por outro, os conceitos andam num reboliço no interior da minha mente. De cada vez que me sento para tentar colocá-los em ordem, algo se sobrepõe e acabo por voltar à estaca zero. Sinto-me perdida e demasiado angustiada por não conseguir falar, escrever ou pronunciar, seja em que linguagem for, o medo que eu tenho de ser julgada. Quero- tal como sempre quis- ser a menina perfeita- aquela que não dá angústias aos pais, aquela que não vai contra aquilo que sempre estruturou mentalmente e aquela que obedece a cada regra como se não houvesse nada mais sagrado do que aquilo. Só eu sei o quanto me mata por dentro esta necessidade de atingir a perfeição, ainda que isso seja impossível. E ainda que eu saiba que isso não será nunca possível. A minha ansiedade de querer tudo ao milímetro, organizado de forma rigorosa e ornamentada faz-me perder os sentidos. Perco os sentidos longe de ti e ao teu lado. Deixo de conseguir fechar os olhos e sentir o teu perfume (que é o meu preferido) com o medo que me falhes. Tenho tanto medo que te esqueças de me ligar, de me procurar, de me encontrar. Tenho medo de falhar no que mais importa para ti, e tenho ainda mais medo que falhes no que mais importa para mim, mesmo que eu não faça a mínima ideia do que isso é. Tenho medo, tenho inseguranças e tenho monstros que vivem no teto, porque estavam demasiado escondidos debaixo da cama. Não faz sentido que pagues por tudo o que vejo a acontecer à minha volta, assim como não faz sentido que feche os olhos a todas as traições e a todas as mentiras que têm vindo a matar as relações à minha volta. Sei que nada é para sempre, tal como a nossa relação não será... A única coisa que está em questão é a duração dela, o que investir e o que esperar. Se espero demais, dececiono-me. Se espero de menos, não vivo o que de melhor a vida tem para me dar. És um poço de surpresas, de sorrisos, de gargalhadas e de chama. És aquilo a que eu chamo de desejo. És a minha maior certeza e a minha maior incerteza.