É praticamente impossível descrever o medo que sinto cada vez que penso que pode ter-te acontecido alguma coisa. Sei que ficava mais bonito se eu tivesse escrito "receio" em vez de "medo", contudo, a verdade é que eu estou apavorada. Não se trata de um medo, de um receio, mas sim de um pavor. De um medo levado ao extremo. Faz com que o meu coração bata a umas milhas por segundo, com que o meu cérebro pare, com que as minhas mãos tremam e os meus olhos se encham de lágrimas. O medo que eu tenho de te perder vai matar-me. A mim, a ti e a nós. Sempre soube que no momento em que este medo se fizesse sentir, seria o meu fim. Ainda que tu não o conheças, ele conhece-nos bem. Não ter notícias tuas, não receber uma chamada reveladora de como estás, ver que não há sinais teus em qualquer rede social, faz com que esse Senhor Medo se apodere de mim. Tento, então, recorrer às superstições para que elas me salvem. Olho para o colar que me deste umas trinta vezes, olho para as horas na tentativa de encontrar algo semelhante a (21:21) com o intuito de poder pedir um desejo, ponho o creme do meu pai (que cheira a ti) na extremidade do meu polegar e espero que ligues, que me demonstres que estás vivo. A minha angústia aumenta um bocadinho mais e eu fico aterrorizada... Como é que se lida com isto? Como é que se aprende a viver com o facto de amar alguém?
domingo, 22 de janeiro de 2017
domingo, 1 de janeiro de 2017
A força com quem coloco os fones no interior dos meus ouvidos é a mesma que tenta levar-me para longe daqui. Longe dos olhares, dos comentários, dos julgamentos e das ideias feitas. Sinto que se estivesse num lugar diferente, rodeada de pessoas diferentes, as ações seriam outras. Talvez conseguisse soltar-me do mundinho em que vivo e aprender a voar. Há bastante tempo que tenho vindo a sentir-me cada vez mais impotente e incapacitada- se, por um lado, não consigo expressar por termos aquilo que sinto, por outro, os conceitos andam num reboliço no interior da minha mente. De cada vez que me sento para tentar colocá-los em ordem, algo se sobrepõe e acabo por voltar à estaca zero. Sinto-me perdida e demasiado angustiada por não conseguir falar, escrever ou pronunciar, seja em que linguagem for, o medo que eu tenho de ser julgada. Quero- tal como sempre quis- ser a menina perfeita- aquela que não dá angústias aos pais, aquela que não vai contra aquilo que sempre estruturou mentalmente e aquela que obedece a cada regra como se não houvesse nada mais sagrado do que aquilo. Só eu sei o quanto me mata por dentro esta necessidade de atingir a perfeição, ainda que isso seja impossível. E ainda que eu saiba que isso não será nunca possível. A minha ansiedade de querer tudo ao milímetro, organizado de forma rigorosa e ornamentada faz-me perder os sentidos. Perco os sentidos longe de ti e ao teu lado. Deixo de conseguir fechar os olhos e sentir o teu perfume (que é o meu preferido) com o medo que me falhes. Tenho tanto medo que te esqueças de me ligar, de me procurar, de me encontrar. Tenho medo de falhar no que mais importa para ti, e tenho ainda mais medo que falhes no que mais importa para mim, mesmo que eu não faça a mínima ideia do que isso é. Tenho medo, tenho inseguranças e tenho monstros que vivem no teto, porque estavam demasiado escondidos debaixo da cama. Não faz sentido que pagues por tudo o que vejo a acontecer à minha volta, assim como não faz sentido que feche os olhos a todas as traições e a todas as mentiras que têm vindo a matar as relações à minha volta. Sei que nada é para sempre, tal como a nossa relação não será... A única coisa que está em questão é a duração dela, o que investir e o que esperar. Se espero demais, dececiono-me. Se espero de menos, não vivo o que de melhor a vida tem para me dar. És um poço de surpresas, de sorrisos, de gargalhadas e de chama. És aquilo a que eu chamo de desejo. És a minha maior certeza e a minha maior incerteza.
Subscrever:
Mensagens (Atom)