As lágrimas correm-me pelo rosto desenfreadamente. Já nem sequer 6 horas vou dormir e continuo sem conseguir pregar olho. Dói cada vez mais saber que já não te importas connosco. Já não mexe contigo saber que tens alguém deste lado a passar um mau bocado. Até podes achar que são filmes da minha cabeça mas já nem sequer tentas acalmar-me, estar do meu lado. A cada dia que passa estás mais do outro lado. Do lado que não é nosso, que não nos pertence. A cada dia que passa és menos meu, mas mais teu. Mais do mundo, mais da vida, mais das tuas escolhas que por mim não passam. Talvez sejas tu o certo. Em 3 anos mudou muita coisa e nós mudamos com os anos. Tornamo-nos dois desconhecidos que se vão encontrando pelo caminho. Sei de ti e tu de mim mas já nem queremos sarar as feridas um do outro. Ficamos só no nosso canto, calados e quietos à espera que passe. Os dias passam e tudo vai perdendo o encanto. Já não dançamos, já não choro quando fazemos amor, já não nos perdemos a rir nem vemos filmes. Já não me dizes que me amas antes de desligar o telemóvel, já não falamos horas seguidas. Já não namoramos à distância mas também já não namoramos quando estamos juntos. Estamos horas a passear lado a lado mas vai cada um no seu caminho. Somos capazes de ir lado a lado mas não sabemos ir juntos. Somos uma junção de desejos, favores e esforços. Seja lá pelo que for, a verdade é que é um esforço para nós servir o outro. Estamos a entrar num beco sem saída e eu não sei para onde me virar. Tento falar mas não me ouves. Tento não esconder o que sinto mas já não tens sensibilidade ao ponto de ver o meu lado. És tudo o que eu mais quero que permaneça em mim e ao mesmo tempo o que mais me tem feito sofrer. Dói tanto ver o barco a afundar e não ter a tua ajuda. Dói saber que para ti nada tem a importância que deve ter, os sentimentos pouco importam e a vida vai como tiver de ir. Aproximamo-nos a passos largos dos 3 e eu só gostava que tu me mostrasses que tudo isto é uma fase e que passa. Gostava que me provasses que o teu amor por mim ainda pode resolver isto e que vai crescendo nas pequenas coisas. Que os 3 sejam o rumo que nos leva ao porto desconhecido, ao sítio onde seremos salvos e não sabemos. Eu acredito. Ou mantenho-me na esperança de não parar de acreditar.
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
segunda-feira, 3 de junho de 2019
O amor cresce dos bocadinhos. Da ida ao Porto, do mergulho no rio, da sesta que fazemos abraçados. O amor cresce da preocupação, do "como correu o teu dia hoje?", da maneira como olhas para mim enquanto, sem querer, me caem as lágrimas pela cara. O amor cresce todos os dias e não vem nunca do que é material. O amor vem do pouco, do pequeno. O amor são as músicas que ouvimos no carro e o vento que leva o meu cabelo para trás com a mesma força que um sorriso teu leva o meu dia para a frente. Não há nada que queira tanto como ser a tua companheira. Estou há algum tempo a lutar para ser a tua melhor amiga, a tua confidente, a tua pessoa. Enquanto isso, continuas gélido e o amor vai acontecendo. Os fins de semana passam a voar e sinceramente sinto que são pouco mais do que um sonho. Chega à segunda feira e voltam as rotinas, os desleixos, as desculpas e tudo aquilo que sempre nos separou. A coisa que mais me entristece em toda a minha vida é a maneira como tu consegues descartar as hipóteses de estarmos ao lado um do outro sem ser nos momentos programados, sem ser da maneira que se calhar faria mais sentido para nós. Tu consegues dizer-me que não nos momentos em que se calhar eu mais preciso do teu colo, do teu mimo e da tua presença. O amor não são as palavras, mas o amor é estar. O amor é presença, o amor é mimo sempre que o outro precisa. É impossível dar-se tudo numa relação quando se sente que o outro tem reticências, vírgulas, parêntesis. É impossível ter-se todas as seguranças do mundo quando se vê pouco esforço, pouca vontade, pouca disposição. Às vezes sinto que é impossível chegar até ti com o que te digo, então em tom de socorro venho e escrevo. Mostro-te e penso que talvez nem leias até ao fim, ou nem dês a importância que dou, ou nem sequer percebas exatamente o conteúdo das minhas palavras, mas acredita que a escrita pode ser das únicas maneiras que tenho de sentir que, dê isto no que der, eu tentei chegar até ti. Que nunca te falte o mimo e que, a partir de agora, sejamos um e só um em tudo o que nos resta. Ainda há muito para construir, se assim o quisermos.
PS: Nos dias em que estiveres mais em baixo, mais cansado e com vontade de partir tudo à tua volta, lembra-te que os meus braços serão sempre o teu lar.
PS: Nos dias em que estiveres mais em baixo, mais cansado e com vontade de partir tudo à tua volta, lembra-te que os meus braços serão sempre o teu lar.
domingo, 31 de março de 2019
Nem sempre foi fácil chegar até ti. A escrita costuma ser o lugar onde te encontro e costumas dizer que "é a única bibliografia que lês". Sempre foste uma pessoa fria, distante. Nunca me demonstraste muito aquilo que sentes, mas sempre me foste dando a dose certa de amor, companheirismo e de vontade. Nunca foste o rapaz das mensagens constantes nem a pessoa dos testamentos nos aniversários, mas eras a pessoa que me ligava sempre que podia. Que retribuia mal arranjava um pequeno furo. A nossa relação não é um mar de rosas e já passamos por fases muito complicadas, mas eu tinha sempre uma reserva. O teu amor, a tua vontade, as tuas demonstrações de saudades e de capacidade de arranjar momentos juntos, davam-me sempre o impulso que eu precisava para os dias seguidos sem te ver. Hoje, tudo custa mais. Dizes que aprendeste a arranjar estratégias para não te lembrares, mas esqueces-te que nesta relação não estás sozinho. Eu ainda não as arranjei e preciso da tua ajuda. Eu ainda preciso que me dês a mão e que me mostres que sentes a minha falta e que queres falar comigo, estar comigo, dormir comigo, viver comigo. A vida é feita de timings e nós temos timings diferentes um do outro, mas eu gostava que tu visses que eu ainda não estou no mesmo patamar que tu e que percebesses que está na hora de me dares a mão e de me levares contigo, em vez de seguires o teu rumo e de não te importares de qual o lugar em que estou. Dantes, tudo era mais fácil porque havia uma energia maravilhosa que nos movia até novos destinos, novos sonhos, novos momentos a dois. Eu só quero que tu percebas que a energia que nos move se chama amor e que, quer queiras quer não, o amor é feito de coisas pequenas. De visitas inesperadas, de chamadas à última da hora, de uma mensagem de madrugada só a dizer "queria que estivesses comigo aqui, agora". O dia em que arranjaste estratégias de racionalizar o amor, foi o dia em que deixaste de me dar a energia para aguentar o domingo, a segunda, a terça, a quarta, a quinta e a sexta. Por favor, e se assim o quiseres, volta a amar-me sem razão e sem estratégias.
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