Fecho os olhos e respiro fundo. Já não me lembrava sequer de respirar. Sinto que vivo sempre com tanta pressa que nem a minha respiração sou capaz de controlar e apreciar. Os últimos dias foram tormentos. Os sentimentos de injustiça, revolta, sofrimento. As antecipações, as previsões, as burocracias. Isto tem vindo a acabar comigo aos bocadinhos pequeninos. Ultimamente, meu grande amor, tenho-me deixado consumir. Tenho sigo sugada por tudo, tudo mesmo, o que me envolve. Tenho perdido a paciência, tenho sido bruta, muitas vezes chego a ser alguém que certamente nenhum de nós conhece ou sabe que existe. Temos sido um pelo outro, ainda que tenhas sido maioritariamente tu por mim. Hoje percebi que está na hora de pôr na minha cabecinha que tu queres o melhor para mim e que tenho de te demonstrar que quero ser cada vez mais eu por nós. Nunca tive dúvidas acerca do que tu sentes por mim, aliás, ainda que tudo engane, o teu peito e os teus olhos não podem enganar. A forma como me agarras e me pedes que respire fundo bem como a maneira com que te perdes comigo, pode ser tudo menos uma mentira ou ilusão. O pouco tempo que estamos juntos, permitiu que me conhecesses ao ponto de saberes que eu tenho medo, pavor, pânico às mentiras e traições. As minhas atitudes de menina mimada e de desconfiança são por isso. O meu mundo é recheado de mentiras, as pessoas que me rodeiam vivem vidas que me enojam, que me atormentam, que eu espero nunca vir a viver. Sempre que te respondo de uma maneira em que a revolta fala por mim, desculpa-me. O medo não me permite ver para além de. Comecei este texto com uma respiração profunda, contudo, neste momento, já não sei respirar outra vez. Meu amor, por tudo o que é mais sagrado neste mundo, confia em mim. Dá-me a tua vontade, deixa-me acordar-te sempre que o meu desejo for mais forte que eu e tu, agarra-me sempre, foge comigo sempre, mima-me sempre. Quero que sejamos cada vez mais nós por nós.
Sem comentários:
Enviar um comentário